gripe

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ResearchBlogging.orgPassado mais de um ano desde os primeiros casos de Influenza A H1N1 no México, tivemos mais de 18000 mortes com diagnóstico confirmado em laboratório e reportado à OMS. Com certeza uma sub-estimativa do número total de casos.

Dos casos confirmados, a mortalidade média foi de 0,5%, próxima da gripe sazonal. Os valores de mortalidade variaram bastante de acordo com o país, e dentro de um mesmo país variaram de acordo com diferentes estudos, o que deixa evidente a necessidade de testes mais disponíveis e de um consenso no tipo de medida adotado.

Diferentemente da gripe sazonal, mais de 90% das mortes estão concentradas em pessoas com menos de 65 anos, consequência da imunidade prévia que os mais velhos têm. As grávidas foram as mais atingidas, embora representem entre 1 e 2% da população como geral, foram 6 a 10% dos mortos pela gripe. Outros grupos que também estão com o sistema imune alterado, como obesos e imunocomprometidos, também estão entre os mais suscetíveis.

Tratamento

Embora tenha a já reportada resistência à drogas da família das adamantanas, o Influenza de origem suína pode ser tratado por inibidores de sialidase, as drogas Oseltamivir e Zanamivir. O Oseltamivir, disponível por via oral e mais barato, ainda é uma forma bastante efetiva de tratamento, reduzindo a severidade dos sintomas e a duração da internação.

Alguns casos de resistência foram encontrados, em sua maioria isolados e em pacientes com falha de tratamento, principalmente em casos de terapia prolongada. Raramente pacientes sem histórico de contato com a droga também foram encontrados com vírus resistentes, e a transmissão deste tipo de vírus também foi confirmada.

Conclusões

Ainda temos bastante dificuldade no diagnóstico do Influenza como um todo. O principal método, a técnica do RT-PCR (amplificação do material genético do vírus), ainda depende de tecnologia recente e de pouco acesso em locais mais pobres. Além de depender de amostras coletadas durante o período da infecção.  Ainda carecemos muito de formas mais baratas e acessíveis de detecção do vírus, bem como de tratamentos mais diversos e baratos.

O Influenza A H1N1 parece caminhar para um vírus sazonal com sintomas e casos próximos da gripe comum, mas os rumos evolutivos do vírus são imprevisíveis. A rede de vigilância e prevenção montada anteriormente para a gripe aviária, e a virulência dentro do “normal” deste vírus contribuíram para que a gripe suína não causasse maiores danos. Mas ainda estamos longe de estarmos protegidos contra linhagens mais patogênicas, caso alguma delas seja transmitida com mais facilidade.

Fonte:
Writing Committee of the WHO Consultation on Clinical Aspects of Pandemic (H1N1) 2009 Influenza, Bautista E, Chotpitayasunondh T, Gao Z, Harper SA, Shaw M, Uyeki TM, Zaki SR, Hayden FG, Hui DS, Kettner JD, Kumar A, Lim M, Shindo N, Penn C, & Nicholson KG (2010). Clinical aspects of pandemic 2009 influenza A (H1N1) virus infection. The New England journal of medicine, 362 (18), 1708-19 PMID: 20445182