No próximo texto, veremos como o Influenza pode ser transmitido pelo ar. Agora veremos o papel que o contato pode ter na sua transmissão.

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Fonte: Wikimedia

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A transmissão por contato do Influneza pode ser direta ou indireta. Direta é quando entramos em contato com secreções de alguém doente e levamos a mão aos olhos, boca ou nariz. O contato indireto ocorre quando tocamos objetos ou superfícies contaminados por alguém expelindo o vírus e trazemos a mão a uma das mucosas já mencionadas.

Evitar o contato direto é algo relativamente simples, se sabemos que alguém está gripado, podemos manter certos cuidados. Já o contato indireto, é muito mais complicado, especialmente para crianças, que são bem ativas, levam constantemente a mão à boca ou aos olhos e convivem em escolas e creches com uma grande quantidade de colegas. Frequentar ambientes públicos também é garantia de contato com superfícies e objetos tocados por outras pessoas que não fazemos idéias se estão doentes ou não.

O mais importante no caso do contato indireto é a viabilidade dos vírus expostos no ambiente. Qual a dose de Influenza que está no local e por quanto tempo ela deve ser infectiva. Em superfícies porosas, como lenços de papel e roupas de algodão por exemplo, o vírus não é mais detectado depois de cerca de 12 horas, e quando em contato com as mãos, dura cerca de 5 minutos. Já superfícies lisas, como o aço, mantêm o vírus viável por mais de um dia, até 48 horas, e por mais de 15 minutos nas mãos após o contato. [1]

E qual seria a duração do vírus da gripe em notas de dinheiro? Em notas Suíças, que são feitas com fibra de algodão revestida de cera, que dá uma superfície lisa a elas, por um longo tempo. Vírus em concentrações próximas às detectadas em doentes na fase aguda são capazes de durar mais de 3 dias. Se forem protegidos por muco, que ajuda a regular a umidade e salinidade em que o Influenza é estabilizado, ele chega a ser recuperado e infecta células em cultura por até 17 dias! [2]

O coletado nasofaringeal de crianças depositado diretamente nas notas permitiu que o vírus fosse recuperado de metade das notas após um dia, e um terço delas após 48 horas.

Crianças são mais preocupantes na transmissão por contato não apenas por serem mais ativas, mas também por desenvolverem uma carga viral mais alta durante a infecção, dada uma menor imunidade ao Influenza, fruto de um sistema imune que entrou em contato com o vírus poucas vezes.

Um experimento conduzido em creches e casas com crianças detectou material genético dos vírus em objetos durante várias estações – Aqui vale uma ressalva, detectar material genético não implica em detectar vírus infectante, mas é um bom indício. – e descobriu que, embora no verão não haja RNA de Influenza em objetos, no outono o número de objetos infectados sobe para 23%, e na primavera mais da metade dos testados deram resultado positivo. [3]

Uma vez que as mãos estão contaminadas, estudos com vírus sabidamente transmitidos por contato, como o rinovírus, nos mostram que levamos as mãos aos olhos, boca e nariz 2,5 vezes por hora, em média. Isso quando não estamos sendo observados (ou não sabemos). Quando estamos encarando outra pessoa, esta taxa sobe cerca de 10 vezes. [4]

Portanto, lave sempre as mãos durante um surto de gripe. Lavadas longas, com sabonete ou soluções com álcool em concentração de pelo menos 60%, são uma forma segura de prevenir a gripe. E novamente, se você estiver gripado, evite sair de casa, e caso o faça, cubra sempre a tosse ou espirro com um lenço e descarte-o em seguida.

[1] Bean B, Moore BM, Sterner B, Peterson LR, Gerding DN, & Balfour HH Jr (1982). Survival of influenza viruses on environmental surfaces. The Journal of infectious diseases, 146 (1), 47-51 PMID: 6282993
[2] Thomas, Y., Vogel, G., Wunderli, W., Suter, P., Witschi, M., Koch, D., Tapparel, C., & Kaiser, L. (2008). Survival of Influenza Virus on Banknotes Applied and Environmental Microbiology, 74 (10), 3002-3007 DOI: 10.1128/AEM.00076-08
[3] BOONE, S., & GERBA, C. (2005). The occurrence of influenza A virus on household and day care center fomites Journal of Infection, 51 (2), 103-109 DOI: 10.1016/j.jinf.2004.09.011
[4] WEBER, T., & STILIANAKIS, N. (2008). Inactivation of influenza A viruses in the environment and modes of transmission: A critical review Journal of Infection, 57 (5), 361-373 DOI: 10.1016/j.jinf.2008.08.013